Viagem
Eduardo Baqueiro
 
 
 
A pedido do mestre desci à terra. Não tinha uma idéia clara por onde começar. Uma atmosfera pesada envolvia o pequeno planeta, dificultando assim minha descida.
 
Saberia que encontraria contradições, misérias e doenças. Chegaria em breve ao berço de anjos onde a dor se faz necessária ao burilamento da alma eterna.
 
Somos todos fagulhas da essência Divina, somos herdeiros do universo. Mas o caminho é único, sem atalhos, com breves pousadas e muito labor.
 
Encontrarei almas revoltadas e doentes, mas não devo interferir. Cada um tem seu fardo, não mais  pesado que os próprios ombros.
 
Chego a este pequeno planeta em um momento difícil. O homem não entende o próprio homem. A família se desestruturou, a mulher se perdeu nos excessos, o homem foge de seus compromissos.
 
A guerra é tida como solução, a fome controla a população. Os poderosos são surdos e mesquinhos, não compreendem que amanhã poderão pedir.
 
Quanta falta de amor, de compaixão, de solidariedade. Senhor, piedade! Somente o tempo e a dor podem realizar o milagre da transformação. Até lá um mar de lágrimas será derramado.
 
Oh homens estúpidos! Porque escolheis sempre o caminho mais difícil? Porque tanta maldade, tanta ignorância. Esquecestes vossa origem apenas para chorardes. Não quereis seguir a luz que teima em vos guiar.
 
Reclamais do caminho escolhido por vós mesmos. Esqueceis que vosso caminho deve ser iluminado. Não viestes aqui para sofrer, tampouco gerar sofrimentos. Viestes para trabalhar em prol daqueles que choram, daqueles que necessitam de vós.
 
Cada um de vós deveis dedicar ao vosso vizinho mais que a vós mesmos. Dai as mãos ao vosso próximo, fazei uma corrente humana, amai-vos e protegei-vos. Somente assim crescereis, somente assim podereis ser anjos.