Eduardo
Baqueiro
Somos todos
bons para com os outros Às vezes parece
que nada poderá perturbar nossa paz
interior Estamos de bem
com a vida e com nosso
vizinho Somos perfeitos
Ajudamos na
medida do possível Somos vistos como
desejaríamos Somos felizes
porque somos bons Mas eis que vem a
tempestade Chega derrubando
e ferindo Nossa paz é
perturbada Então esquecemos
a paz conquistada Esquecemos nossa
condição de bons Damos caminho à
vaidade e ao egoísmo Deixando para
trás a harmonia conquistada Nos tornamos
lobos em pele de cordeiro Blasfemamos,
xingamos e magoamos, se for preciso
até pisamos Tudo em nome da
defesa e da honra Engraçado... Somos dois
habitantes em um corpo só Ocupando o mesmo
espaço Desafiando as
leis da física e da lógica Uma hora somos
santos Na outra hora o
diabo é dono da festa Que contradição! Que mundo mais
incoerente este nosso! Como indicar as
falhas e feridas do mundo Se elas nascem
dentro de nosso ventre? Somos tão
incoerentes que somos cegos A ponto de não
ver as próprias falhas Se as coisas
andam ruins é sinal de que somos nós
os principais atores desta peça
de teatro chamada vida. Antes de indicar
os erros do próximo, ponha-se em seu
lugar e conclua se pode
resolver-lhe os problemas. Se não puder
então, imagine alguma forma de ser útil e
ajude, se for capaz...