Quase 50 anos
Eduardo Baqueiro


Ha quase meio século nasci num corpo de menino
Contemplei a luz e me assustei
Um choro de medo agitava o peito pequeno
Ate que o calor do ombro maternal
calou-me do desespero.
Estava seguro nos braços de um anjo
Não sabia o que o destino me reservara
Afinal, era somente mais uma criança!
A infância passou apressada...
Não deixou tempo para assimilar os ensinamentos...
O menino ficou trancado no peito
Os amigos e os amores 
passaram como num piscar de olhos
Minha história não foi diferente das outras
Mas é a minha história, são minhas lembranças...
Passaram-se quase cinqüenta anos
E não deu tempo de fazer nada
Mas estou feliz, minha alma sorri
Deus me concedeu aquilo que precisava
para atravessar este mar de lutas
Ganhei muitos amigos
Alguns já se foram. Que pena! Sinto saudades...
Outros ainda me ensinam algumas lições
Lições de carinho, de paciência e de amor...
Trouxe comigo a inteligência para passar por aqui
Trouxe uma vontade danada de vencer os erros.
Alguns eu consegui vencer, outros ainda são difíceis
Se pudesse dar um conselho a alguém que começa agora
Eu diria para aproveitar cada oportunidade,
cada minuto e dividir com seu vizinho
Serão lições que a vida te entregará para aperfeiçoar
Tenha sempre Deus no coração
Seja um exemplo para todos que convivem com você
Não dê importância às coisas materiais,
elas ficarão aqui!
Respeite tudo que é vivo,
principalmente tua família humana
Ame plenamente, sem medo de ser ridículo
Quem ama parece um tolo, mas é feliz
E ser feliz é uma dádiva,
mais difícil que acertar na loteria
Sei que ainda tenho muito pela frente
Sigo com o mesmo entusiasmo da infância
O coração ainda é do menino que se perdeu
Tô aprendendo a ser moleque de novo
Creio ser feliz...
O tempo passou bem depressa e ficou a saudade
A saudade das oportunidades perdidas
Das palavras não pronunciadas
Do beijo que não dei
E do amor que não amei
 
10/10/2004 (48 anos)
 
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