Procura

Eduardo Baqueiro

 

Somos a mistura de uma massa

ainda indefinida.

Somos loucos desesperados à procura

de algo que nem mesmo sabemos o que é.

Talvez a felicidade,

mas não a encontramos

porque não sabemos o que ela é...

Talvez esteja dentro de nós...

Mas como encontrá-la?

Se não a reconhecemos?

Quantas mentes já aceitaram o desafio

de compreendê-la

E fracassaram...

Sabemos somente o que é infelicidade,

Ela faz parte de nós

Nunca estamos satisfeitos.

Principalmente por saber que a idade

não resolveu os mistérios

Eles ficaram maiores,

as dúvidas cresceram,

as respostas ficaram distantes...

A idade traz a dura realidade da vida

Não sabemos viver...

Deixamos a vida nos levar,

como uma onda no mar

Somos engrenagens de uma

máquina perfeita e,

como partes de uma peça,

somos impelidos a fazer nossa parte

Mesmo sem saber porque!

A tão aclamada liberdade não existe...

É um engodo, não somos livres!

Somos escravos de uma rotina criada

por nós mesmos...

Aqueles que se atrevem as quebrá-la

são chamados de loucos,

são diferentes,

não se encaixam em nenhuma das tribos,

vivem na marginalidade...

Quem sou eu?

Aquele que penso ser,

Aquele que deixo transparecer,

Ou talvez a imagem que vejo no espelho

Não sei! Às vezes não me reconheço,

sou um estranho de mim mesmo.

Talvez esteja no limite da sanidade

e posso me perder

de uma hora para outra.

Talvez, na minha loucura,

encontre as respostas que procuro

Talvez volte à minha simplicidade

de não ter, de não querer

e de não ser.