Não tranque sua porta

Eduardo Baqueiro

 

Cheguei cansado nesta terra...Nos ombros, o peso de outras vidas mal vividas. Desejava contar minhas histórias, aliviar meus pesares, tentar ser um pouco feliz.

Precisava de ouvidos para entender meus erros. De um ombro onde pudesse descansar minha cabeça... Precisava dividir minhas dores para aprender que meu sofrer é apenas uma fração de minha vida.

Dar minhas mãos para aquele mais necessitado. Assim eu cresceria e me tornaria um farol! Mas encontrei portas trancadas, corações desesperados e amargurados. Pessoas prisioneiras do medo, perdidas num labirinto.

Vi que a terra era um presídio, não encontrei meu canto onde poderia descansar...Chorei de tristeza por não encontrar mãos amigas, não consegui abrir nenhuma porta. O amor não saía nem entrava nos corações, não vi Jesus fora da cruz!

Há lamento e martírios, homens com medo do homem. Racismo, idolatria e egoísmo...Não encontrei meu paraíso e me perdi como tantos outros.

Através das portas fechadas gritei, mas não ouvi respostas, somente o silêncio como eco do medo. Do medo que se tornou uma praga!

Nossas crianças cresceram e se esqueceram dos sonhos. Os palhaços dos circos morreram, o show parou à espera da alegria!

É preciso destrancarmos as portas. jogar fora as chaves. Entrar e dividir....aprender... amar!  Tentar ser feliz! Não sintamos medo. Deixemos a brisa tocar nosso rosto...Vamos chorar, mas também sorrir...

Se o medo vier, não deixar que ele nos isole...A vida é bela com seus contratempos. Depois da tempestade chega a calmaria. Depois da morte vem outra vida!