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Morte
Eduardo Baqueiro
Quando era jovem, bem jovem, ouvia
uma história que, confesso, até hoje
não sei se é verdadeira.
A história conta que em um país muito longe
fazia-se festa quando alguém morria,
e chorava-se quando alguém nascia.
Uma criança vinha ao mundo para lutar,
e teria que enfrentar as diversidades
que o caminho lhe entregaria.
Quem morria estaria com a missão cumprida,
Voltava à pátria mãe para descansar
das intepéries que aqui enfrentou.
A simplicidade e a lógica desta história
me fizeram ver a morte como um ato natural,
Assim como o sol precisa ir
para que a noite aconteça.
Com o passar do tempo, passei a procurar
respostas para o mistério da morte,
Uma palavra que, por si só, assusta a todos nós.
Na minha procura encontrei algumas respostas
a nossas dúvidas, algumas vieram a colaborar
com aquela história que ouvi, quando ainda
era bem jovem.
Hoje eu tenho minhas convicções
e acho aquela história tão atual e verdadeira
como no dia que a ouvi pela primeira vez.
A morte deveria ter outro nome, assim como
reciclagem, viagem ou novos caminhos.
Talvez por sermos ainda tão egoístas,
por não aceitarmos a perda como um fato normal,
sofremos por algo que não podemos controlar.
A morte é uma lei universal,
a vida não existiria sem a morte,
a morte não existiria sem a vida.
Aquilo que chamamos de morte não é senão
uma transformação...
Se tudo evolui, então esta transformação
é para melhor...
Porque somos assim tão mesquinhos a ponto
de nos revoltarmos com algo que faz parte
do nosso cotidiano?
Em conseqüência sofremos e nos tornamos amargos.
Talvez a morte seja a maior lição que recebemos.
Ela é um indicativo de que precisamos aproveitar
as oportunidades no momentos em que
são apresentadas.
Depois disto não teremos mais aquela oportunidade.
Talvez nosso sofrimento com a perda seja porque
não soubemos aproveitar os momentos
com aquele que se foi...
Ficou para trás um "eu te amo" ou um
"você é muito importante na minha vida"
ou mesmo um "não"
que não tivemos coragem de dizer.
Se nosso coração estiver tranqüilo.
Quando um amigo ou uma pessoa querida se vai,
não há motivo para sofrimento.
Há motivo sim para saudades dos bons momentos,
alegria ao relembrarmos os bons momentos
e uma certeza que em breve estaremos juntos,
novamente...
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