MOMENTO

Angela Amaral

 

E de repente irrompe a dor

A dor de não ser

A dor de querer

A dor de conhecer a razão.

 

Uma razão que não cabe

Aqui, onde existe a paixão

Aqui, onde tudo é tão teu

Aqui, onde tanto conheces!

 

E a dor teima e fica

por causa de uma frase "mal-dita"

por causa da visão de um paraíso

que pode nunca ser meu.

 

E dói ainda a dor

de saber bem onde fica

o meu amor, a minha vida

entre os elos da tua (vida).

 

Pertenço ao mundo dos sonhos

onde me buscas sedento

quando tua alma te pede...

 

Pertenço às extravagâncias

a que te permites às vezes

quando o sentido te exige...

 

Pertenço ao lado escondido

que cala diante do grito

da realidade existente.

 

Sou elo de ânsias

que buscas à distância.

Sou fogo plácido

que sopras quando queres

calor contundente

e que morre aquecido

quando dele te esquivas

por não ser teu presente.

 

Sou canal de poesia

em que teu espírito se abriga

quando a presença que te chama

já não é tão exigente...

 

Quieta poesia

Calada poesia

Que mesmo sendo assim

Só a ti pertence.