Faixa de Gaza
Eduardo Baqueiro
Hoje estive de passagem na faixa de gaza.
De cima pareceu-me um pedaço do inferno.
Se bem que não fazemos idéia de como seja o inferno.
Mas se podemos retratá-lo,
este pedaço de terra é o que deve chegar mais perto.
Quando lá coloquei meus pés,
lembrei-me Daquele que veio há 2000 anos
Por onde passou deixou seu rastro de perfume, de amor
e de compaixão
Mas encontrei ali marcas de sangue de crianças,
de idosos e de mulheres inocentes.
Desejei não estar ali, tamanho sofrimento que invadiu minha alma
Meu espírito, num ímpeto quis sair daquele lugar de qualquer jeito,
Mas meus pés estavam chumbados naquele cenário
Fechei meus olhos tentando ignorar tantos absurdos,
mas vi muitos sofrimentos.
Vi crianças perdidas e desesperadas estendendo seus braços
para o vazio, sem nenhuma perspectiva...
Nenhum socorro ou amparo à vista, apenas a morte como consolo...
Vi mulheres que perderam as forças de tanto chorar
Mulheres que perderam a beleza na estupidez
de uma guerra sem sentido.
Como se alguma guerra fizesse sentido!
Vi meninas que não sabem o que é brincar,
E meninos brincando de guerra com armas de verdade...
Vi também homens que perderam a esperança
e se tornaram selvagens
Ao ver tanta angústia e desespero, não resisti e chorei
Os responsáveis estão cegos e surdos,
entretidos nas suas políticas egoístas
Toquei algumas crianças e meu toque não surtiu efeito
Gritei aos quatro cantos e meu apelo não foi ouvido por ninguém
Me ajoelhei naquele chão sangrento e orei uma prece sentida,
A resposta não veio, minha prece se perdeu no infinito
Tentei ajudar e senti que seria inútil, somente o tempo
fará alguma coisa
Depois de algum tempo uma mão surgiu entre os escrombos
Subimos aos céus e percebi que a faixa de gaza
é uma cicatriz das tolices humanas
É o berço das desavenças, o reino dos absurdos,
onde a falta de amor impera
Senti-me fraco e impotente diante de tanta discórdia
A humanidade está doente, o remédio está ao alcance,
mas ninguém deseja a cura...
Enquanto a cegueira e a estupidez caminharem
lado a lado naquele vale
O sangue servirá de adubo para as rosas que morrem
antes mesmo de nascer