Forja

Eduardo Baqueiro

 

Hoje não vou falar de amor,

Também não vou falar de alegria,

Nem vou falar de fartura.

Não!

Hoje eu quero falar de quem sofre,

Quero falar das pessoas sem nada,

Daquelas que sofrem caladas,

Daquelas que gemem baixinho

para ninguém ouvir...

São irmãos isolados da sociedade,

Não são vagabundos,

nem são preguiçosos,

São os inválidos

São aqueles que nasceram deficientes,

São aqueles que choram, escondidos,

São aqueles que amam calados,

São aqueles que sentem dor

que nenhum remédio cura...

São os deficientes da alma...

Vieram para ser forjados a fogo e ferro,

São prisioneiros da própria consciência,

Estão presos em prisões sem grades,

Sofrem e não se revoltam,

Se dobram diante da dor,

Não pedem socorro,

Pedem forças para vencer as dores,

Choram na calada da noite...

Baixinho...

Através das lágrimas lavam a alma,

Não compreendem, mas aceitam,

Aceitam porque crêem numa justiça maior,

Têm como sustentáculo sua fé,

E o amor próprio...

Passam por esta vida incógnitos,

Não fazem diferença na balança da vida,

São apenas criaturas a caminho

das próprias realizações...

Não ensinam porque não sabem,

Mas aprendem, caminham...

No peito um coração cansado,

Na alma uma esperança de que

um dia tudo termina.

Então o sol da felicidade

tornará a brilhar em seus rostos.