Hoje eu não quero flores

Eduardo Baqueiro

 

 

 

 

 

Hoje a solidão é dona de minha festa, eu a convidei e trouxe comigo tudo que há de pior em minha vida; meus delírios e minhas insanidades. Hoje eles serão os donos da festa. Me entrego de corpo e alma às minhas loucuras.

 

 

 

Não quero ser educado, tampouco cortês, hoje não, hoje é dia do meu não, se não gostas, fuja... Que estou azedo, sem nenhuma disposição para aturar suas manhas.

 

 

Não aceito flores, nem seus carinhos, quero ficar as sós com minhas manias, brincar com todas elas, ser menino travesso, fingir de surdo, se preciso for.

 

 

Hoje, se quiseres, me deixe a sós, quero saber de nada não, quero me entregar às extravagâncias, saber se sou livre. Quero fazer de minha existência algo que me faça bem, mesmo que por um segundo, mas que me faça sentir dono de mim.