Deserto
Eduardo Baqueiro
Dentro de mim há
um deserto
que teima invadir
minh'alma
Por anos a fio,
sem descanso, sem trégua,
Insiste em ser
maior que meu ser...
Às vezes penso
ter perdido a batalha
Mas o dia
seguinte chega,
trazendo consigo
a calor das manhãs de primavera,
Iluminando meu
caminho já obscuro
de minha própria
ignorância...
Deixo para trás
minha vida, já tão sofrida...
Em alguns
momentos me entrego
à minha própria
loucura...
Cansado e
calejado sinto-me inerte
Mas uma vontade
louca de não terminar dessa forma
Me levanta
novamente e grita ao meu ser
que não precisa
ser assim,
que eu posso
mudar, se desejar,
fazer chuva em
meu deserto
E a primavera
fará brotar as primeiras rosas
do meu amanhã....
Ah! escuridão de
dentro de mim!
que às vezes me
toma e me domina...
Me perco dentro
de ti,
me entrego e me
torno teu escravo...
Espero meu fim
Mas o que surge é
minha própria alvorada...
Que loucura,
dentro de mim!
Às vezes sou dois
em pleno conflito...
Me perco do
caminho e estaciono sem destino...
Queria chorar,
confesso, mas não consigo
Não sei como é
chorar para extravasar!
Então deito e
durmo, como uma criança indefesa,
Para acordar
dentro de minha realidade
Prisioneiro na
minha própria fortaleza!
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