Desarme-se...
Eduardo Baqueiro
Um dias destes eu me encontrava numa farmácia. Depois de um dia
cansativo, desesperado para chegar em casa, fui obrigado a enfrentar uma fila
para pagar o tal remédio.
Estava entretido com meu mundo; cheio de responsabilidades e preocupações
tolas. Como se o mundo girasse em torno de mim e dos meus problemas.
Na minha frente uma adolescente falava com sua irmã mais velha e ao notar a
conversa comecei a pensar nas bobagens que saia daquela cabecinha ainda muito
nova, sem nenhuma experiência da vida, que se achava o máximo.
Senti vontade de rir das bobagens que ouvia, mas estava entretido nos meus
problemas, na minha vida. Mas para minha surpresa aquela menina que mal
deixara de usar fraudas olhou um carrinho, destes que a gente encontra a venda
em lojas para colecionadores afim.
A menina olhou para o carrinho, olhou pra mim e abriu um sorriso. Um sorriso
daqueles que nos pegam de surpresa. Meus pensamentos caíram água abaixo,
fiquei sem ação diante daquele sorriso inocente, sem nenhum traço de malicia.
A menina mal terminara aquele lindo sorriso, me perguntou o que eu achava do
brinquedo, me disse que adorava colecionar carrinhos, mas achava aquele um
pouco feio. Concordei plenamente dizendo que era a minha opinião também, que
já tinha visto trabalhos melhores que aquele.
Começamos um diálogo tão gostoso que esqueci de minhas feridas, de meus
problemas tolos. Me apaixonei pelo sorriso inocente daquela menina.
Cientistas e técnicos andam preocupados em desarmar o mundo e na minha frente
se encontrava a anti-arma mais poderosa que alguém pode descobrir; a inocência
de um sorriso.
Confesso que mudei daquele momento para cá e tento ver o mundo através dos
olhos daquela menina do sorriso lindo. Hoje quando as coisas vão mal e eu me
perturbo com algo me lembro daquele sorriso e de repente meus problemas
desaparecem e começo a sorrir como aquela adolescente do sorriso inocente.