Uma onda no mar

Eduardo Baqueiro

 

Ela chegou como uma crista da onda

Sem dar nenhum aviso apareceu de repente

Tocou a campainha apenas uma vez

A porta se abriu quando ela já ia embora

Abraçou-me sem etiquetas, naturalmente,

com um sorriso estampado no rosto; sua marca...

Falou-me sem parar das suas andanças

Dos lugares que conheceu, da pobreza que assistiu,

da oportunidade de ser útil.

Falou também dos amigos que conheceu e abandonou

Dos amores que deixou para trás

Estava envelhecida, confesso.

O tempo roubou-lhe a alegria da beleza

Mas não conseguiu roubar-lhe o brilho dos olhos

Sua alma deixou de ser  adolescente

e se tornou uma pessoa interessante

Disse-me que o tempo lhe foi cruel

Mas não viu as sementes que germinaram no peito

Falou coisas que antes eu não imaginaria ouvir

Ensinou-me algumas coisas simples

Agora tornou-se uma grande amiga, apenas

A sabedoria tem seu preço; chega apenas com a idade

Pudemos rir de nossas tolices como nunca o fizemos

Nos abraçamos, e matamos qualquer resquício de saudade,

dos momentos de cumplicidade

que o tempo encarregou de esconder.

Choramos por alguns instantes

Minha alma agora está em paz

A vida nos ensinou mais uma vez, surpreendendo...

Olhei para o alto e sorri agradecido

Tudo tem seu tempo,

cabe a cada um de nós aguardar

para que a caixinha de surpresas se abra

mais uma vez...