CIGANA

Eduardo Baqueiro

 
Caminhava a pé,
 perdido dentro de minhas idéias...
Desligado do mundo,
 não sabia que caminho tomar
Até que apareceu uma cigana da pele morena,
Me estendeu a mão...  pediu a minha mão
Não desejava nada além de ler minhas mãos
Falou de meu passado, das derrotas,
das amarguras...
Pediu que refletisse sobre minha vida,
Que olhasse para trás e a assistisse
Como em um filme...
Que somasse as tristezas, as desilusões,
as perdas...
Colocasse de um lado da balança!
Que assistisse novamente ao mesmo filme
Mas que somasse, agora,  
os poucos momentos de alegria,
As poucas vitórias sobre mim mesmo,
As poucas conquistas,
mas que não deixasse de fora
os amigos e os amores de minha vida...
Revi minha mãe ao meu lado
Sempre com seu sorriso tranqüilo...
Revi os amigos, alguns já perdi de vista
Outros ainda estão ao meu lado me aturando...
Revi os amores que passaram
e vi você, minha menina, meu unico amor...
A cigana pediu para pesar na minha balança
E vi que minha vida não poderia ser melhor...
A saúde me acompanhou nas aventuras,
A inteligência me trouxe até aqui,
Deus guiou-me pelos desfiladeiros
E, hoje, me encontro aqui, forte e feliz
A cigana sorriu e perguntou se desejava
mais alguma coisa
Respondi: vá com Deus
e obrigado...