Carta ao homem

Eduardo Baqueiro

 

Contempla minha beleza! Talvez amanhã não esteja mais aqui. Eu sou um bicho que se encontra na sua lista de extinção. Pode ser que, no futuro, me veja somente em fotografias...

Posso ser mais forte que você. mas sua inteligência te faz superior, mas esta superioridade não te dá o direito de ceifar vidas, nem de teu próximo nem de mim e meus companheiros. Somos todos habitantes deste planeta, Não deixe que nos extingamos!

Somos parte desta natureza, fazemos parte da vida, assim como você. Não se faça mais selvagem que nós! Matamos somente para dar continuidade à vida. Você, homem, ao contrário, mata por prazer. E, nesta brincadeira, pagamos um alto preço.

Que será da terra sem nossa presença? Que dirá a seus filhos e a seus netos? Eles saberão que um dia existimos, e você, por capricho e prazer, determinou nossa extinção.

Temos os mesmos direito que você! Temos direito à vida! Podemos conviver pacificamente, se você, homem, respeitar meu espaço. Somente desta maneira você e seus filhos poderão se orgulhar do lugar  onde vive.

Não me deixe perecer, nem aos outros, deixe-me viver, deixe-me cumprir com os desígnios da natureza! Deixe-me procriar para que esta terra possa ser, eternamente, nosso berço  e para que você possa ser chamado de homem, o orgulho da criação!