U.S.A.
Eduardo Baqueiro
 
Sou brasileiro, tenho 50 anos.  Amo meu pais, apesar dos contratempos, da criminalidade, da pobreza e das dificuldades. Aqui estão minhas raízes, minha família e meus amigos. Mas sempre admirei os Estados Unidos da América. Não pelo fato de ser rico, mas pela garra que este povo sempre demonstrou possuir.
 
Meu primeiro emprego foi numa multinacional de origem norte-americana. Confesso que aprendi muito na época que lá trabalhei. Meu caráter foi moldado com os exemplos que tive no decorrer da minha experiência profissional, que foram quase 10 anos. Até hoje, aplico no dia a dia da vida  os ensinamentos que aprendi naquela época.
 
Sempre desejei conhecer a América, mas as dificuldades da vida cotidiana não permitiram a realização desse sonho no passado. Minha filha completa este ano sua maioridade e decidi levá-la a América, dei então,início a tal empreendimento.  Pensei em levá-la aos parques temáticos de Orlando e aproveitar para assistir o Cirque du Soleil, creio eu que uma semana seria o suficiente para nosso passeio.
 
Entretanto fui desestimulado,por diversas pessoas que tentaram e não conseguiram o visto de entrada. Hoje,conhecer este país tornou-se uma batalha. A América mudou, o país das oportunidades se fechou. Posso compreender que aconteceu mudanças depois de 11 de setembro. Mas estas não foram para melhor. Não acredito que alguém tenha se beneficiado com estas mudanças.
 
A América está construindo um muro nas suas fronteiras, um muro que a humanidade, inclusive o próprio país lutou para derrubar. Caiu o muro de Berlin, caíram as barreiras da China, caíram outros muros. Mas na América não. Isto não deveria acontecer.  Onde esta a América das oportunidades, a América sem medo, a América livre?
 
Alguns homens arranharam vossos espíritos. Quando a ferida vai se fechar? Enquanto ela estiver aberta os inimigos estarão em festa. Desejei visitar este país para sentir o ar da América, falar com alguns americanos, apesar de meu péssimo inglês, mas desejei apenas estar lá, somente para exercer meu direito de ir e vir, para ter mais uma historia para contar aos amigos. Uma semana seria o suficiente para sentir saudades do céu azul e dos dias ensolarados de meu país e aí então, eu retornaria para meu lar.
 
Desejo que os americanos solucionem seus problemas, que seus muros também caiam e renasça um novo país e que ele volte a ser a América linda e livre de antes de 11 de setembro.